ácido em letrinhas...

segunda-feira, abril 30

Domingo de outono

Fazia tempo que não acordava assim,
exatamente no domingo,
com aquela mesma temperatura,
com aquele sol,
com aquela ressaca boba
e uma vontade imensa de curtir o dia.

Mãos dadas pelo parque, grama verde, som dos passarinhos,

olhos curiosos e coração confortável.
Pequenos detalhes que pouco valorizei,

mas que domingo eu aproveitei.

Dia feliz.
Propaganda de margarina.
Felicidade saudável, não fantasiosa.
Cansaço, cama, sorriso.

quarta-feira, abril 25

Réplica

Eu estava feliz. No auge da minha felicidade.
Mas mesmo assim faltava...
um detalhe,
um brilho,
um dente,
uma peça do quebra-cabeça,
alguém que eu pudesse dividir meu sorriso.
Não faltava muito, mas faltava.

Embriagada de afagos, palavras de sabedoria e litros de álcool, eu fui atrás daquele que me abriria as portas, tivesse um olhar atencioso e belo direcionado para mim, e que não fingiria estar gostando ou não da situação, que não deixaria de falar o que pensa, por mais estúpido que pudesse ser, mas que mesmo assim seria dócil.

E foi assim...exatamente assim
calor,
ranho,
nudez,
fumaça,
beijo,
mais alguns mls de álcool,
adormeci completamente sobre uma nuvem, anestesiada.

Ao despertar, esqueci.. apenas os fatos, mas os sentimentos ainda estavam transbordando em mim, me deixando tranqüila e surpresamente feliz ao reconhecer aquele que dormia de algodão nos ouvidos ao meu lado. Praticamente sóbria, meus desejos eram os mesmos e mais uma vez eu sorri com o coração.

Lembrei que esse dia eu experimentaria nascer de novo, não sei explicar com palavras o que significaria pra mim, mas tinha certeza que seria o melhor dia da minha vida.

Pode ser que um dia eu volte a dizer isso, se eu casar ou tiver filhos, mas é incerto, e não dependeria só de mim, como esse dia 22 de abril.

Sutilmente expulsa pelo meu príncipe de olhos encantadores, na rua eu segui, cantarolando alto...

“...confundo as tuas coxas com as de outras moças
Te mostro toda a dor
Te faço um filho
Te dou outra vida pra te mostrar quem sou
Vago na lua deserta das pedras do Arpuador
Digo 'alô' ao inimigo
Encontro um abrigo no peito do meu traidor
Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor
Invento desculpas, provoco uma briga, digo que não estou
Vivo num 'clip' sem nexo
Terror, retrocesso meio bossa nova e 'rock'n roll'...”


Nem imagino o porquê dessa música, mas foi ela que saiu, com lágrimas multicoloridas que enfeitavam meu rosto, sem entender muito as coisas eu fui pro último ensaio do teatro, o fruto de todas minhas últimas emoções, aproveitando o momento em que meu coração se abriu.

Não só pelo teatro...
Não só pelo Anselmo...
Não só pela cerveja...
Não só pelo príncipe...
Não só pelo calor...
Não só pela música...

E sim, só por mim... eu fui feliz.

terça-feira, abril 24

Nasci

Sim, mudou sim.. mudou muito.
Percebi o oculto, o escondido por mim mesma, agora sei o que me faz feliz.
Cansei de fingir, não tenho mais medo.
Sou uma incansável conhecedora de mim mesma.
Reconheço-me como pessoa, uma ótima pessoa.
As pessoas me reconhecem também...
e agora eu acredito.